Do Brasil à Lua: dispositivo brasileiro elaborado na Incubadora de Empresas de Base Tecnologica de São Paulo foi utilizada pelos astronautas na missão Artemis II

Créditos da imagem: NASA/Bill Stafford
Após ser aprovado por vários testes da NASA, um dispositivo brasileiro desenvolvido pela startup Condor Instruments foi utilizado na missão Artemis. Entre os dias 1 e 10 de abril de 2026, o actígrafo criado pelos pesquisadores vinculados à USP, foi lançado ao espaço junto aos tripulantes da nave, para monitorar os seus parâmetros de saúde durante a viagem à Lua. Com sucesso global, a tecnologia produzida na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica de São Paulo, se insere no mercado em colaboração aos setores de saúde, produzindo dados importantes não só para missões espaciais, mas também, para avanços significativos em pesquisas médicas.
O actígrafo “Act Lumus”, que se assemelha bastante a um smart watch, é responsável por acompanhar continuamente o ritmo biológico dos seus usuários. Equipado com acelerômetros e sensores de luz de alta precisão, o dispositivo brasileiro monitorou o ciclo biológico dos astronautas, ao cruzar dados de movimento e exposição luminosa, garantindo que a tripulação mantivesse o desempenho físico e cognitivo durante a jornada lunar. Assim, com base nessas informações coletadas pelo dispositivo, tornou-se possível investigar as mudanças no corpo dos tripulantes, geradas pela alternância de referencia externa no espaço sideral.
Como o corpo humano depende de referências externas, como luz e temperatura, para regular seus ciclos biológicos e ter um bom desempenho, no espaço, onde esses estímulos se perdem, o Act Lumus é necessário. Isso porque ele monitora a adaptação do organismo a esse novo ritmo, permitindo estabelecer rotinas que preservem a saúde e o desempenho dos tripulantes. Sendo esses estudos cruciais para o planejamento de futuras missões espaciais, em que os futuros tripulantes não sofram com um mal funcionamento do organismo e que estejam bem preparados para a vida no espaço.
Criado pela Condor Instruments, o dispositivo passou por anos de testes e validações até ser aprovado pela NASA, e ser qualificado para essa e mais outras missões espaciais do programa Artemis. De acordo com Rodrigo Okamoto, cofundador da empresa, integrar a missão Artemis com o seu produto, revela um progresso significativo na ciência brasileira:
“Ver uma tecnologia desenvolvida pela Condor contribuir para uma iniciativa de relevância global como o programa Artemis é motivo de muito orgulho para todos nós. É a prova de que soluções criadas no Brasil podem atender aos mais altos níveis de exigência científica e operacional, apoiando pesquisas sobre sono, ritmos circadianos e desempenho humano em ambientes extremos.”

Imagem do ActLumus
Créditos: Condor Instruments
A Condor Intruments é uma startup fundada em 2013 por Luis Filipe Rossi e Rodrigo Okamoto, e faz parte da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica de São Paulo, vinculada à Universidade de São Paulo (USP) e ao Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), sob gestão do Cietec. A empresa empenha um trabalho de integração de pesquisa academica e inovação técnologica, para a produção de tecnologias vestíveis que transcendem o uso comercial comum e se estabelecem como ferramentas de precisão clínica. Esse compromisso permite que a Condor Instruments transforme descobertas científicas sobre o ritmo biológico em dispositivos capazes de monitorar, com rigor laboratorial, a saúde e o sono em ambientes extremos, desde a rotina de pacientes em hospitais até as condições desafiadoras de missões espaciais da NASA.
Assim, sucesso do Act Lumus é global nos setores de saúde, ademais do seu papel essencial nas missões espaciais. Em mais de 50 países e em instituições internacionais, como as universidades de Havard e Standford, o dispositivo é aproveitado para estudar dados relevantes que interferem diretamente na criação de tratamentos personalizados. Tratamentos esses, que resultam em tratamentos mais eficientes para doenças neurodegenerativas, como Alzheimer, de transtornos mentais, como depressão e bipolaridade, além de ajudar no acompanhamento de disturbios do sono, como a insônia, Nesse sentido, o dispositivo auxilia tanto nos avanços clínicos quanto de preparativos para viagens espaciais, na medida em que coleta dados cruciais para o entendimento do funcionamento do organismo e suas adequações.
Ao observar o sucesso significativo do dispositivo no mercado exterior, é notável que as principais vendas da startup ocorrem no mercado internacional ao invés do nacional. Parte dessa conclusão admite como muitas técnologias inovadoras brasileiras escalam e são reconhecidas exteriormente antes do próprio país, recebendo mais investimento do mercado internacional. Um dos fatores que contribuem para esse tipo de situação, é a maior preocupação desses mercados internacionais em investir em ciência e inovação, para a utilização dessas tecnologias no aprimoramento de diversos setores, como o de saúde nesse caso.
Após conquistar o mercado internacional e mandar o Act Lumus à Lua, a Condor Instruments reafirma seu compromisso com a pesquisa e inovação e persiste no aprimoramento das suas tecnologias, segundo o próprio cofundador da startup, Rodrigo Okamoto:
“Nosso próximo passo é continuar evoluindo essa tecnologia e ampliar suas aplicações, tanto no setor espacial quanto em áreas estratégicas aqui na Terra, como saúde, pesquisa clínica, aviação e performance humana”, destaca Okamoto.
Redação por: Yasmin Câmara Maçãneiro

