Visita técnica aproxima pesquisa, propriedade intelectual e transferência de tecnologia para transformar soluções desenvolvidas na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) em inovações acessíveis e escaláveis para a sociedade.
No último dia 31 de Julho, a Agência USP de Inovação (AUSPIN) realizou uma visita técnica ao Centro de Pesquisa e Orientação sobre Deficiência Visual (CPodV), sediado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. A visita contou com a comitiva composta pelos agentes de Inovação, Alexandre Venturini Lima e Maria Aparecida de Souza, para a apresentação das competências da AUSPIN em Propriedade Intelectual (PI) e em Tranferência de Técnologia (TT), no auxílio da propagação de técnologias de acessibilidade em desenvolvimento no CPodV.
O CPodV é um dos 34 Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs) financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), com um aporte de R$ 10,5 milhões para um período de cinco anos. Liderado pela diretora Profa. Dra. Maria Célia Lima-Hernandes, da FFLCH (USP), e pelo vice-diretor Prof. Dr. Cleyton Fernandes Ferrarini, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em parceria com diversos pesquisadores de das unidades da USP, UNICAMP, UNIFESP e do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), o Centro de Pesquisa e Orientação sobre Deficiência Visual promove a inclusão social, educacional, profissional e cultural de pessoas com deficiência visual, através do desenvolvimentos de técnologias e soluções inovadoras geradas pela pesquisa científica.
Para organizar a pesquisa de acordo com as necessidades dos deficientes visuais, as soluções e técnologias são produzidas conforme quatro eixos interconectados:
- Mapeamento e Observatório da Deficiência Visual (MOb): coordenado pelo Prof. Dr. Rafael Yagüe Ballester (FO-USP), responsável por sistematizar dados estatísticos e mapear necessidades de Tecnologia Assistiva.
- Abordagens Didático-Pedagógicas e Desenvolvimento de Soluções Estratégicas (ADPD): coordenado pelo Prof. Dr. Paulo Eduardo Capel Cardoso (FO-USP), focado no desenvolvimento de recursos e metodologias de ensino-aprendizagem acessíveis.
- Recursos para Atividades de Vida Autônoma (RAVA): coordenado pela Profa. Dra. Patrícia Saltorato (UFSCar), dedicado à criação de protótipos e dispositivos para promover a autonomia em atividades cotidianas.
- Acessibilidade Cultural (AC): coordenado pela Profa. Dra. Ana Paula Torres Megiani (FFLCH), que busca mediar o acesso cultural por meio de soluções táteis e auditivas.
Assim, os quatro eixos atuam de forma articulada e complementar: O MOb identifica demandas e oportunidades a partir do levantamento de dados e do mapeamento de necessidades, subsidiando o trabalho dos demais eixos. Com base nesse diagnóstico, o ADPD desenvolve soluções voltadas à educação, o RAVA cria recursos que promovem a autonomia nas atividades do cotidiano e o AC amplia o acesso à cultura por meio de tecnologias e estratégias inclusivas. Os resultados produzidos retornam ao observatório, alimentando um repositório de conhecimento que orienta novas pesquisas, aprimora as soluções desenvolvidas e fortalece a inovação em tecnologia assistiva.
Por fim, para que essas soluções e tecnologias sejam distribuidas de forma acessível e com ampla adoção da sociedade, a AUSPIN consolidou uma agenda de colaboração com o CPodV para o desenvolvimento de licenciamentos para essas inovações, que priorizem o impacto social dos projetos, com escalabilidade dentro do setor produtivo. Isso quer dizer que a parceria busca viabilizar que empresas e outras organizações possam produzir, comercializar ou aplicar as tecnologias e soluções desenvolvidas, criando caminhos para que pesquisas e protótipos cheguem ao mercado. Mais do que gerar retorno financeiro, a proposta é ampliar o impacto social dessas inovações, tornando-as mais acessíveis e beneficiando um número maior de pessoas com deficiência visual.
A visita técnica realizada pelos Agentes de Inovação destacou a atuação dos Núcleos de Inovação Tecnológica (NIT) na gestão dos Direitos de Propriedade Intelectual (DPI) e no licenciamento de tecnologias. O debate reforçou que a proteção do conhecimento acadêmico, longe de restringir o acesso público, é uma ferramenta essencial para atrair investimentos do setor produtivo e viabilizar a escalabilidade de projetos com alto impacto social, como os desenvolvidos pelo CPodV. Por isso, a equipe da AUSPIN avalia: “A inovação cumpre seu papel real quando abandona os laboratórios e transforma a qualidade de vida da sociedade. A excelência do trabalho do CPodV comprova essa premissa”.

